terça-feira, fevereiro 02, 2016

Madrugada


Eu quero o cheiro dele sempre para mim...

O cheiro ardido, inebriante, querido, completo.

O cheiro que invade meu travesseiro, lençol, cabelo, cigarro, meu olhos.

Quero os lábios dele para sempre em mim...

Os lábios quentes, os lábios duros, os lábios doces, que cobrem o meu rosto, minhas mãos, meus sonhos.

Quero a voz dele dentro de mim...

Cantando minha alma, meu sorriso, meu jeito, meu acordar pela manhã a imaginar somente ele chegando manso e calmo.

Quero a tristeza dele toda minha, para eu abraçá-la, arrancá-la, cuspi-la para longe de sua alma que brilha por vida nova.

As  palavras que me fazem dormir, são as mesmas que me despertam.

Despertam minha espera, que sempre preza pela recompensa das horas que voam quando beijo seus ombros em uma calçada qualquer da cidade.

Sua vida grande, suas mãos quietinhas que tentam passar despercebidas por todo o meu mundo amargo.

E adocicam meu café, minhas músicas, minhas férias longas que aguardam pacientemente por aquele pouquinho de atenção que me fazem descansar bem.

Resto do Post

quarta-feira, novembro 25, 2015

São quase oito da manhã e eu não me concentro,
quantos rodopios minha mente já deu
a noite inteira acordada
apenas velando seu sono de longe.

Abro o albúm de fotos,
você em todos os lugares
de antes, de agora
de antes de meus olhos te enxergarem diferente.

Minha cabeça está em todos os lugares,
em tudo em você
menos aqui, aonde tem que pousar
Ela voa em uma velocidade
em uma time machine
em um portal sem espaço e tempo.

Sobrevoa lembranças,
cheiros,
músicas,
cigarros,
café e canela.

E o dia nem sequer começou...
o dia nem terminou para mim
uma porta está entre aberta
esperando você gritar meu nome,
fazendo barulho
acordando minha excitação de te ver.

Os dias passaram,
minha promessa está de pé
Minha resistência, insuficiência, demência de me conter
Me sinto implodir,
uma quentura, um carinho, precisando extravasar
preciso do seu peito para deitar
seus vícios compartilhados.

Olha homem, está mais certo que a incerteza que os astros nos reservam,
está mais certo que essa fumaça que me mata mais rápido...
é certeiro o funil do meu pensamento em te chamar para mais perto,
volta.


Resto do Post

terça-feira, novembro 24, 2015

Olha eu aqui de novo
engolindo goles secos de alcool que não cabe mais na minha alma
você que conhece a paixão,
me fale sobre ela.
Você que sabe estar sozinho,
não sente a falta
ou sabe quando sentir
me convença que preciso dela.
Você que conhece a noite,
madrugada que é quando vc acorda,
me explique como que quanto mais ela chega
mais perto do que não tenho eu fico.
Sei, sou nova, sei, sou inconstante, egoísta, me diga as palavras mais doloridas que sabe falar.

Me explique como em tão pouco tempo me cansei.

Resto do Post

segunda-feira, novembro 23, 2015


Eram apenas dez metros,
eu contornando sua cintura e
você sorrindo alto como de costume.
Eram quinze que eu queria que virasse trinta,
o caminho era curto e eu te desejava tanto!
Não saberia quando te encontraria de novo,
ainda não sei.
Estiquei o tempo e espaço o máximo que pude,
me fingindo bêbada, arrastando os pés,
falando mole e inventando assuntos.
Deus, como quero te ver!
Resto do Post
Desenvolvo a terrível capacidade de gostar das coisas que me fazem mal,
A nova agora é a queima de uns dez cigarros por dia, o dinheiro gasto desnecessariamente em vinhos baratos, e o vício que é querer despretensiosamente te encontrar.
“ Você sabe que quem dorme no meu peito fica pra sempre em minha vida ? “ você disse antes de adormecer.
E não, eu não sabia. Uma parte de mim ainda preferia não saber.
Não saber das suas histórias, do seu cheiro e tom. Uma parte minha gostaria ter se mantido longe dos clichês.
E que ingênua eu, achar que essa cidade não me reservaria mais amores.
Que ansiosa eu, contando nos dedos as horas que consigo ficar sem você.
Quero ser dura, calma, andar em passos leves nesse começo de tudo.
Repasso tudo que me disse, o jeito que me tocou e me abraçou, revivo as memórias todas como se fossem novas. Quero mantê-las mais vivas possíveis.
Prometo até Quarta evitar você, prometo fingir que não ligo, fingir que não quero, que não me faz falta.
Prometo me contentar nesses três dias com as palavras já ditas, com aquele repertório de músicas bonitas já cantadas.
Dormir cedo, acordar tarde, reduzir o tempo do dia para me poupar das promessas quebradas.

Resto do Post

quinta-feira, março 19, 2015

Cura

Eu que antes era jovem polida e bonita,
Agora me atenho a mesquinharias mundanas
Das mais vis e nojentas
Daquelas que o céu queima e o diabo gosta.

Eu que antes sonhava em mudar cada linha reta que deveria ser um pouquinho torta,
Agora me vendo toda tarde por míseros sonhos de consumos.
Ou facilidades de locomoção urbana.

Eu que resumidamente antes era jovem, agora me adulteci.
E adultecendo me tornei louca, me tornei útil à todos menos a mim.
Me tornei carne seca e magra,
Coração medroso e olhos aflitos.

Eu que antes me tinha como puro amor
Hoje re-construo o amor todos os dias.
Tenho até dias que me desperta as horas para me lembrar da doçura.

Eu, hoje sincera e pessimista
perdi o pé atrás maldito da juventude.
Me joguei de mãos atadas dentro do poço escuro da vida,
Aonde cada nova ferida me cura.

Resto do Post

Eu me torno pequena em pensar em todo futuro e todo cansaço que tenho recolhido durante todo o meu dia. E entro e saio de páginas modernas da internet me vendo tão comum em meio a tão poucas pessoas importantes no mundo, sim eu sou incomum porém sou em maior quantidade.
Eu já entrei e pulei fora de tantos sonhos e projetos, se invento um o quero pronto na hora senão eu o passo para frente. Me encontro no meio da tarde tão sem saída da minha rotina sem graça, que tenho a impressão que minha vida será isso para sempre.
Me sinto crescendo como pessoa, em pouco tempo já me espichei bastante. E cada suspiro cansado no final do dia, ou gole de café pela manhã que anuncia a rotina, eu enxergo mais um longo aprendizado. Rotina é aprendizado? Eu imagino que seja.
Pois toda noite me surge a ponderação necessária para abrir as próximas horas da vida, e recolhida quieta seja em mim mesma, ou na frente de telas, eu me enxergo como mais uma jovem brilhante porém presa. Impressa e colada sem cor na parede momentâneamente monótona da vida.

Resto do Post