segunda-feira, novembro 18, 2013

Ponto de vista



Enxergo de modo microscópio,
encaro de forma astronômica.
Sentada em um ponto comum à todos,
esperando minha dose de adrenalina abaixar.

Assistindo a televisão invadindo a madrugada
Enquanto solto gemido de “ ais” imaturos.
Esperando acabar o tempo,
Esperando correr contra o mesmo.

E a lentidão com que se espalha meu pensamento
treme todas as minhas ideias antes certas.
O desejo de mudar me afunda cada vez mais em mim,
e me sinto cega, sufocada aguardando ajuda ou milagre.

Deus, como estou sozinha!
Fechada nesse mundo que ninguém tem vontade de entrar.
Morrerei sozinha decerto, na companhia de gatos resmungões.
Enfiada em livros indecifráveis e que no fim descobrirei que não adiciona solução nenhuma
nesse nosso mundo.

Dizem que a ignorância é a receita da felicidade
E estou começando a concordar.
Eu com apenas vinte anos já desacredito da bondade de todos,
Da boa intenção da família e dos amigos.
Desconfio até de mim e das minhas intenções raramente boas.

Ouço os outros mas não escuto nada,
paraíso é ficar trancada.
E quem eu preciso mesmo está longe,
pu longe e feliz... o que é pior.
Começou a caça a melancolia novamente.
E eu que pensei que tivesse superado!
Começou a caça as respostas inexistentes e
a felicidade longínqua e planejada.

Começou os dias que se arrastam
e as noites mal dormidas.
É um ciclo meu, biológico
fisiológico e psicológico.

Que me enoja, afasta e reflete
de forma dolorida as imperfeições do mundo.
A televisão é a melhor companhia,
o melhor analgésico para esse começo de temporada dolorida.
Resto do Post