quinta-feira, março 19, 2015

Cura

Eu que antes era jovem polida e bonita,
Agora me atenho a mesquinharias mundanas
Das mais vis e nojentas
Daquelas que o céu queima e o diabo gosta.

Eu que antes sonhava em mudar cada linha reta que deveria ser um pouquinho torta,
Agora me vendo toda tarde por míseros sonhos de consumos.
Ou facilidades de locomoção urbana.

Eu que resumidamente antes era jovem, agora me adulteci.
E adultecendo me tornei louca, me tornei útil à todos menos a mim.
Me tornei carne seca e magra,
Coração medroso e olhos aflitos.

Eu que antes me tinha como puro amor
Hoje re-construo o amor todos os dias.
Tenho até dias que me desperta as horas para me lembrar da doçura.

Eu, hoje sincera e pessimista
perdi o pé atrás maldito da juventude.
Me joguei de mãos atadas dentro do poço escuro da vida,
Aonde cada nova ferida me cura.

Resto do Post

Eu me torno pequena em pensar em todo futuro e todo cansaço que tenho recolhido durante todo o meu dia. E entro e saio de páginas modernas da internet me vendo tão comum em meio a tão poucas pessoas importantes no mundo, sim eu sou incomum porém sou em maior quantidade.
Eu já entrei e pulei fora de tantos sonhos e projetos, se invento um o quero pronto na hora senão eu o passo para frente. Me encontro no meio da tarde tão sem saída da minha rotina sem graça, que tenho a impressão que minha vida será isso para sempre.
Me sinto crescendo como pessoa, em pouco tempo já me espichei bastante. E cada suspiro cansado no final do dia, ou gole de café pela manhã que anuncia a rotina, eu enxergo mais um longo aprendizado. Rotina é aprendizado? Eu imagino que seja.
Pois toda noite me surge a ponderação necessária para abrir as próximas horas da vida, e recolhida quieta seja em mim mesma, ou na frente de telas, eu me enxergo como mais uma jovem brilhante porém presa. Impressa e colada sem cor na parede momentâneamente monótona da vida.

Resto do Post