
I
Com indolÊncia é que me despeço de vocÊ,
pois com fervor acredito
nas volupias banais,
que sua pele pode querer.
Me livro de vocÊ com aquilo
doendo dentro de mim,
pois ignoro o que diz,
linguas santas de cianoreto.
Torno e esbravejar o quanto meu despeito
rega o seu peito,
da mais pura luxúria que te atrai.
É com devoção que te quero,
com vergonha que assumo.
Com fraqueza que me curvo,
com decencia te pondero.
Pois tu é louca,
sibila,
minha amada, querida.
Consagro a ti minha escravidão,
minha doente idolatria.
Musa, mulher minha.
II
No meu mais alto devaneio
me conceberam voce.
Te possuo com cárater
tenho-a para proteger,
ou me proteger?
Tu és minha loucura aurea,
casta, alva, és minha.
Louca, bruxa, o Inferno!
mas sou teu.
No teu veneno me delicio,
extasio sem pudor.
Grito, repudio, te prendo,
fobia de perder tua alma.
Enquanto a minha, já partida e relutante,
presa em tuas maos e olhos
de pura brasa incessante,
me classifica como mais um infeto
ser, homem ou animal.