segunda-feira, dezembro 24, 2012

Acaso

Estranha tarde inesperada.
Você chegou de surpresa, sapatos novos.
Sorriso novo. Desconcertante seus olhos, sua pele, o beijo.

E eu, esquecida no canto de casa.
Suja, amassada. Sorriso torto.
Falsidade estampada.

Estranho como me superou enquanto eu vago.
Quieta, resgatando conversas.
Perambulando sonolenta entre lembranças que me resumem
e que guardo consciente dentro de mim.

Mas, entre. Busque o que te faz falta.
Seus cadernos, suas meias, seus meses.
Leve e rasgue, jogue fora, doe. Sim, ainda me machucam.

E cada dia que passa é um corte raso porém doído,
que sacrifica cada pedaço meu em memória sua.
Dor contínua, que arde e incomoda.
E que me atormenta mais do que esse seu novo sorriso.





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