quarta-feira, dezembro 26, 2012

Manhã II

Pequeno brilho nas ideias.
Pequena vontade de sorrir.
Seu sorrisinho pequeno e boquinha torta.
Seu nariz reto e suas mãos grandes.

Me espera que desde de manhã comecei a pensar em você. 
E tenho minhas unhas vermelhas. Igual aquela primeira noite.
Tenho minha alma maior. E comecei a dançar.

Cheiro de tarde. Rede e gotinhas.
Reguei as flores e implorei pela noite mais cedo.
Vamos dormir lá fora de novo? 

Só eu e você. Suas pernas, minhas vontades.
Desregrados, insaciáveis. Costas, nucas, dentes e marcas.
Paralisados pelo receio do fim.

Inconformados pelo céu que se acende e as estrelas que se apagam.
Destruídos pela impotência de ter um longe do outro.
Um perto do outro, mergulhando nas nossas próprias lágrimas.

Saudade é algo vago e valioso. 

Imagine

Há um barulho repetitivo, que soa alto e mais alto.
Meu olhar estático. Fomos feitos pra esquecer.
É um dia quente, um dia cansado que se arrasta para o fim.

Como queria estar longe. Com meus pés no mar.
Meu corpo quente de dia alegre.
Me sentindo, ouvindo. Gostando de mim.

Só que as horas se arrastam. E eu nem sequer penso.
Foi cruel. Nunca tive que lidar com algo desse tamanho.
Fiquei em mim. Fechada mais uma vez.

Dentro da minha própria indiferença.
Não queria que tivesse reagido desse jeito.
O dom de estragar. Dom de inverter e imaginar.

Imaginar um mundo meu. De longe é bem mais fácil.




segunda-feira, dezembro 24, 2012

Acaso

Estranha tarde inesperada.
Você chegou de surpresa, sapatos novos.
Sorriso novo. Desconcertante seus olhos, sua pele, o beijo.

E eu, esquecida no canto de casa.
Suja, amassada. Sorriso torto.
Falsidade estampada.

Estranho como me superou enquanto eu vago.
Quieta, resgatando conversas.
Perambulando sonolenta entre lembranças que me resumem
e que guardo consciente dentro de mim.

Mas, entre. Busque o que te faz falta.
Seus cadernos, suas meias, seus meses.
Leve e rasgue, jogue fora, doe. Sim, ainda me machucam.

E cada dia que passa é um corte raso porém doído,
que sacrifica cada pedaço meu em memória sua.
Dor contínua, que arde e incomoda.
E que me atormenta mais do que esse seu novo sorriso.





Resto do Post

domingo, dezembro 23, 2012

Sonhos depositados em noites

Não quero que amargue,
com o peso da realidade que já te desequilibra.
Que condena todos nós e evita os brilhos dos dias.

Não quero que chore  pelo que já foi,
que se esconda em tristes rancores.
Rancores que anuviam,
escurecem a alma e espirito daqueles que gostam de viver.

Que cegam e maltratam seus olhos,
aqueles olhos brandos que buscam sempre sorrir
mas que agora o pesar enturva.

Busque na noite, atrás das cortinas
os desvarios noturno dos sonhadores.
Veja em estrelas, luzes de postes
ou em luas minguantes o céu da vida que te aguarda.

E quando talvez a lua cheia voltar,
e o clarão da noite ultrapassar as venezianas
o frio que lhe percorre o corpo será ameno.

Algo em algum lugar  me assopra a certeza de que estamos novamente próximos.
Algo em alguma esquina me diz que um dia serão novamente dois.


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domingo, dezembro 02, 2012

Dezembro Plano

Deito,
outro sol nasceu.
O corpo doído de dançar.

Noite longa, dentro e sempre.
Dada noite sem querer,
minha, sua, é nossa!

Outra música. E quantos rostos!
Me pergunto se já nasceu seu dia.
Dentro de você um sol já saiu?

Despertei sem reclamar,
para outra rotina enfadonha. Sem surpresas.
Dezembro plano.

Linearidade dos anos,
dos meus dezenove anos enjoativos.
Só assim pra me deixarem viver.
Longas noites impertubáveis, longas noites privadas.

De sonhos meus, viagens minhas.
Madrugada adentro, só eu sei achar.
Nenhum caminho é solitário.

As minhas companhias são muitas,
nossas risadas são longas.
Minha mão é sua.

Seus olhos hoje é o sol.
Sol castanho que me acorda...
mais um dia.


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